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domingo, 1 de agosto de 2010

Modernizar para policiar

Artigo escrito por Arlindo Bastos, capitão da Polícia Militar do Estado da Bahia

Todos nós acompanhamos o empenho das três esferas de governo no sentido de organizar a copa de 2014 e os jogos olímpicos de 2016. Uma das principais preocupações dos organizadores destes mega-eventos é a segurança das delegações e do público assistente. Para coibir qualquer tipo de ato delituoso que comprometeria a credibilidade do Estado Brasileiro perante a comunidade internacional, os governos deverão o quanto antes investir na integração das diversas fontes de dados estatais, de forma a facilitar as decisões dos gabinetes integrados de segurança pública que deverão ser montados durante estes eventos, sem falar no legado de infra-estrutura que será herdado pelo contribuinte após estes espetáculos esportivos. Esta integração visa proporcionar aos gestores de segurança pública o acompanhamento e atendimento simultâneo de todos os tipos de ocorrências, tanto aquelas ligadas aos eventos “in lide”, quanto os eventos ordinários que acontecerão de forma simultânea.

Este tipo de ferramenta é formada por um sistema de equipamentos de observação, detecção, controle (TV, FLIR, visores termais, sistemas de inteligência eletrônica, terrestres ou embarcados em plataformas aéreas tripuladas ou não); e redes de comunicações. Estas transferências de dados são feitas através de canais com mensagens criptografadas ou codificadas com saltos contínuos de frequência, via data link, evitando assim, o risco de interceptação dos dados por pessoas não autorizadas. Os sistemas C2I ( comando, controle e inteligência), além de integrarem os sistemas em uso, irão proporcionar a interação dos policiais de serviço com o respectivo ambiente operacional, pois abrem a possibilidade do recebimento de informações através de laptops, rádios de banda larga e assistentes pessoais digitais, proporcionando ao policial no teatro de operações (TO) o seu posicionamento georreferenciado com o intuito de situar o efetivo terrestre da melhor maneira possível, com vistas ao acompanhamento de todas as atividades policiais do TO, pois neste tipo de missão os fatos se desenrolam de forma dinâmica, tendo o seu cenário modificado a todo o instante, o que torna obrigatório o gerenciamento de todos os personagens e meios existentes para a solução da ocorrência.

Além disso, o geoprocessamento facilita as reuniões preparatórias antes das missões, pois as mesmas poderão ser planejadas em cartas geográficas, inclusive em 3D, propiciando que as informações armazenadas durante a missão sejam utilizadas para treinamentos de forma virtual e para os debates pós missão, facilitando assim as operações futuras e reduzindo as baixas policiais e os danos colaterais.

Nós profissionais de segurança pública brasileiros devemos acreditar mais no emprego da tecnologia, pois segurança pública tem um preço, não se resumindo em compras de viaturas inadequadas para o rádio-patrulhamento e de coletes balísticos tão explorados políticamente em todos os estados brasileiros. Precisamos sim além de viaturas e coletes, de investimentos em tecnologia e cursos que preparem os policiais para o novo cenário que ora se descortina em consequência da projeção do Brasil no exterior. A violência urbana e rural pode ser drasticamente reduzida com o emprego tanto de sistemas C2I, quanto VANT, além da modernização dos grupos táticos das PMs, que seria a ponta de lança do C2I, com equipamentos similares ao FELIN (Fantassin a Equipements et Liaisons Integres), atualmente em implantação pelo Armée de Terre (Exército Francês), tendo sido aprovado o seu uso em ambiente urbano após exaustivos testes operacionais. Este sistema é composto dentre outros equipamentos, de: capacete com proteção balística, óculos de visão noturna, colete tático, rádio acoplado ao capacete, GPS, proteção balística para o joelho, miras noturna e diurna e tecidos modernos para o fardamento, tais como o Flektar.

O Exército Brasileiro desenvolve no CTEx (Centro Tecnológico do Exército) elementos componentes do programa conhecido como COBRA (Combatente Brasileiro do Futuro). Através deste programa os organismos policiais brasileiros poderiam passar as suas experiências táticas e operacionais que seriam de interesse para as nossas Forças Armadas nas Operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) e nas diversas missões da ONU. Este sistema poderá inserir o policial em um patamar superior ao do crime organizado, pois irá possibilitar o planejamento e a efetivação de operações, inclusive noturnas, garantindo ao agente da Lei a devida superioridade no TO graças a rapidez nas comunicações e tomadas de decisões do escalão superior, além de proporcionar a integração com outras equipes policiais que por ventura estejam operando no mesmo local, podendo-se assim acabar com o chamado “ fogo amigo” e danos colaterais que sempre atingem inocentes, durante missões características de zonas urbanas que são a maioria na atividade policial. Se queremos entrar para o rol de países organizadores de grandes eventos, devemos pensar no cenário acima citado, pois diversas delegações estrangeiras que virão para a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016, são passíveis de se tornar alvos de grupos terroristas internacionais e quadrilhas criminosas transnacionais.