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terça-feira, 27 de julho de 2010

Algo errado neste reino




Tenho tentado em outros foruns que participo, provocar algum tipo de reação por parte da Oficialidade Catarinense quanto ao descaso que estamos sendo "vitimas".

Claro que o tal descaso começa por nós mesmos, porquanto somos os primeiros algozes da Classe e da Instituição.

Alguns exemplos são claros e vou tentar não ser muito pragmático!

Vejam que para haver uma "melhoria" salarial fizemos incorporar a nossa folha de pagamento uma gratificação de Estimulo Operacional, ou seja, receber pelas horas extras trabalhadas além da carga normal e das normas trabalhistas (por analogia), e que foi limitada pelo Governo no pagamento de no máximo 40 horas.

Como eu disse no começo, foi para melhoria salarial, pois ganhávamos muito pouco(sic) e trabalhamos muito, e esta foi a melhor forma de incrementar o salário da época.

Devo salientar que isso ocorreu depois de manifestações públicas e até um principio de rebelião, diante dos baixos salários.

Hoje as horas extras são em média 25% do salário de cada policial, e continuamos ganhando pouco.

Só que as tais horas extras passando a ser, como foram, um reforço salarial, também passaram a ser uma espécie de forma do governo em ter mão de obra barata na Segurança Pública. Claro que ninguém disse ao Governo e este nao descobriu ainda, que na Segurança Pública é necessário investimento, não economia.

Ocorre então que qualquer policial, esteja doente ou não, para ter um salário QUASE digno tem que cumprir essas horas, ou seja, uma média de 50 horas por semana.

Quando o PM vai entrar em férias, ou licença tem que considerar esta questão, e terá que cumprir as 40 horas extras antes de entrar em gozo deste direito, isso no mês corrente, o que equivale dizer que terá que trabalhar 60 horas semanais ( 15 dias), o mesmo quando retorna, portanto as férias ou licença tem que ser iniciadas no meio do mês.

60/50 horas semanais!!!!!! Isto em qualquer pais civilizado que se preocupa com seu cidadão, é um absurdo!

Isso contribui para a baixa qualidade de vida do Policial Militar e reflete na qualidade do trabalho por ele desenvolvido!

Segundo uma pesquisa, a média de vida do policial brasileiro é de 54 anos. Isto obviamente se deve a periculosidade da atividade e também das condições de trabalho, que alem de insalubres tem esta sobrecarga.

Se diz que o Estado não pode gastar mais com Segurança Pública.
Ouvimos muitas vezes a tal Lei de Responsabilidade Fiscal sendo alegada, e outras falácias em que só acredita a senhora mãe de quem o diz.

A verdade é que nós Oficiais não estamos dando o devido valor a nós mesmos ao tempo que buscamos soluções paliativas para suprir nossas carências.

Refutamos que somas a melhor policia do Brasil e que somos melhores que a Policia Civil, mas não passamos de profanadores de nossa própria instituição.

Nestes últimos dias surgiu uma novidade, o Judiciário reconheceu o Direito das Praças ( Sargentos, Cabos e Soldados) a receberem pelas horas extras a mais trabalhadas , além das pagas pelo Estado.

Pasmem, que além de todo contexto que falei acima, sobre o peso dessa carga horária, ainda se cogita e de fato é real, que policiais militares trabalhem mais ainda, se diz que assim se supre a deficiência de efetivo.

Será??? E a qualidade desse " suprimento"???

Mas vamos lá, que seja, se for para ter um pouco mais de dignidade, embora para mim pareça uma troca arriscada, saúde e integridade física por dinheiro, pode ser uma boa causa.

Mas sabem o que ouvi estes dias? O seguinte: "Os Oficiais podem ser equacionados e suas escalas não devem passar das 40 extras, pois o governo não pode pagar".

Como piada é ótima! Mas duas coisas são realmente questionaveis nisso. A primeira é se o Oficial não é necessário, o seu trabalho não tem motivação de existir? Ele não precisa estar presente na vida da caserna e nas ações de Segurança Pública?

A segunda é o absurdo de se buscar soluções paliativas novamente, ou seja, para o problema surgido, sacrificasse a quem pudermos e depois deixemos acontecer.

Pior é que ninguém "assina em baixo" a tomada dessa decisão!

Neste mês corrente trabalhei 83 horas EXTRAS! isso mesmo OITENTA E TRÊS horas extras. Não vou receber por elas, salvo quando futuramente ganhar causa na justiça, mas a pergunta é: Não precisava cumprir essa carga? Então porque a fiz?

Nas Unidades Policiais próximas daqui faltam Oficiais para cumprir as escalas, salvo em tremenda sobrecarga, portanto não há de se falar em não ser necessário que se trabalhe mais do que a ROTINA, afinal temos um compromisso para com nossa MISSÃO profissional, mas não podemos ser loucos e trabalhar desprovido de uma justa recompensa. Ao contrário também não podemos pregar a não necessidade desse trabalho.

Criado o Paradoxo, onde então esta o erro? Eu diria que esta na falta de valoração por nós mesmos, que a partir dai outros nos dão valor. Temos que exigir mais!

Primeiro temos que fazer ver que o Estado tem que investir em Segurança Pública, é SEU DEVER, e para isso nada mais lógico que separe uma fatia do seu orçamento , e falo em 30% a 40% da arrecadação, e não um fundo que depende da aplicação de multas e cobrança de taxas.

Segundo, o acrescimo de mais efetivo e de meios.

Efetivo inclui Oficiais, os responsáveis pela condução da instituição!

Os meios nao são uma centena de cameras de vigilância e algumas viaturas. Meios são salários dignos, materiais adequados e valorização da Segurança como prioridade.

Temos que parar de sonhar e ser práticos e empreendedores.

Não sei o que espera e pensa um Oficial que esta no ápice da carreira e próximo a aposentadoria. Mas pergunto, porque não busca ser um exemplo de atitude Institucional? Porque não coloca a instituição acima de tudo e não do cargo que ocupa, pois este só tem valor se for "Lider" de uma instituição forte!

Não estou dizendo que nossos lideres estão errados, somente que tem outras opções do que deixar o barco correr e viver na mesmice que os levará ao ostracismo na aposentadoria!

Hic est opinio mea

Voltarei a tratar da questão!

Abraços

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